Fechamentos e Recomeços: A Força da Liderança Feminina em Constante Evolução
- Bruna Araujo
- 19 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

Na jornada da liderança executiva feminina, os ciclos que se fecham não representam apenas o fim de uma fase, mas o prelúdio para novos começos. A habilidade de encerrar uma etapa com sabedoria, coragem e clareza é tão vital quanto a capacidade de iniciar um novo ciclo com propósito e visão renovados. Ao longo dessa trajetória, a liderança feminina se fortalece, não apenas por seus êxitos, mas também pela maneira como se reinventa e se adapta diante dos desafios.
O Valor do Fechamento de Ciclos
Muitas vezes, encerrar um ciclo é visto com certo receio. Afinal, mudar exige coragem, e o novo pode ser assustador. No entanto, líderes bem-sucedidas entendem que o fechamento de um ciclo não é um sinal de falha, mas um marco importante de aprendizado e amadurecimento. A experiência adquirida ao longo de uma fase da vida ou carreira traz consigo valiosos ensinamentos que devem ser abraçados e valorizados.
Para a líder executiva, o fechamento de ciclos pode ocorrer em diferentes momentos e formas: desde a conclusão de um projeto importante até a transição de uma função ou até mesmo a mudança de visão estratégica para um novo rumo empresarial. Independentemente da natureza da mudança, o fechamento exige não apenas uma avaliação crítica e honesta do que foi realizado, mas também a sabedoria para reconhecer que, para avançar, é necessário liberar o que já cumpriu sua função.
O Poder do Recomeço
Assim como o fechamento de um ciclo, o recomeço também carrega seu peso e sua beleza. Para a liderança feminina, recomeçar não significa retornar ao ponto de partida, mas sim dar um novo significado ao caminho já percorrido. Cada recomeço é uma oportunidade de aprimoramento pessoal e profissional. Ele não acontece da noite para o dia, mas se constrói com paciência, reflexão e ação.
O recomeço, muitas vezes, exige uma redefinição de objetivos, uma avaliação das próprias crenças e valores, e uma disposição para assumir novos riscos. A mulher que lidera com propósito sabe que recomeçar é parte integrante de sua trajetória. Cada nova fase oferece a oportunidade de aprender algo diferente, explorar novas possibilidades e, sobretudo, de se alinhar mais profundamente com sua verdadeira missão. Nesta fase, participar de um processo de mentoria e coaching executivo ou de carreira é uma jornada que contribui para ampliar consciência, rever rotas e ressignificar crenças que por vezes nos limitam ao invés de ampliar horizontes.
Não existem pesquisas que comprovem diretamente que "após um processo de demissão ou fechamento de ciclo que indiquem que a mulher recomeça com mais potência" em termos absolutos. No entanto, estudos e dados indicam que as mulheres demonstram uma forte resiliência, proatividade e capacidade de adaptação após a perda de emprego ou alguma ruptura, muitas vezes utilizam a situação como catalisador para buscar melhores condições de trabalho ou empreender.
E sobre empreender
Pesquisas recentes do SEBRAE no panorama geral de empreendedores estabelecidos apontam que os homens representam a maioria do total de empreendedores no Brasil, com uma porcentagem em torno de 56,5%. As mulheres correspondem a aproximadamente 43,5% do total de empreendedores do país, onde cerca de 10,3 MM são donas de negócio. Um dado interessante que retrata outras diferenças de gênero é que no item inovação, as mulheres tendem a ser mais ágeis na implementação de inovações e digitalização de operações, com 71% usando redes sociais e internet para vendas, em comparação aos homens.
Outros aspectos observados nesta pesquisa, é que muitas mulheres se motivam a empreender por necessidade, sendo chefes de família (onde 67% das empreendedoras são mães) e que apesar dos avanços na participação, as mulheres empreendedoras ainda enfrentam disparidades salariais e ganham menos em média, que os homens empreendedores. Os setores em crescimento para a participação feminina tem sido os de Informação/Comunicação e Educação e Saúde.
Liderança Feminina e a Capacidade de Evoluir
A liderança feminina é marcada por uma inteligência emocional que permite ver o quadro completo, compreender os desafios e, ao mesmo tempo, agir com empatia e estratégia. Essa habilidade de lidar com as adversidades com resiliência e sensibilidade é uma das maiores forças da mulher na liderança executiva. Ao fechar um ciclo, ela não vê o fim como uma perda, mas como uma transição necessária para o crescimento. E ao recomeçar, ela traz consigo uma sabedoria mais profunda, que a permite liderar de maneira mais consciente e estratégica.
O processo de fechamento e recomeço não é linear e nem sempre é fácil. Ele exige coragem para mudar, confiança para arriscar e sabedoria para entender o que é realmente importante. Porém, a mulher na liderança sabe que, em cada transição, reside uma chance de redefinir suas prioridades, de se reconectar com seus objetivos mais autênticos e de fortalecer ainda mais sua influência.
Conclusão: O Ciclo da Liderança Feminina
Na vida de toda mulher líder, os ciclos se sucedem de maneira constante. Cada um traz consigo desafios e oportunidades. Ao encerrar um ciclo, a líder não só reconhece as vitórias conquistadas, mas também se prepara para os próximos desafios, com uma visão renovada e o compromisso com seu crescimento contínuo. Recomeçar é um privilégio, uma chance de reescrever a própria história com mais coragem, experiência e clareza.
O mundo dos negócios, mais do que nunca, precisa de mulheres que saibam quando é o momento certo de encerrar um ciclo e se lançar ao novo. Com uma visão apurada, uma abordagem estratégica e uma força interior inabalável, a liderança feminina continuará a transformar e inspirar, mostrando que, em cada fim, existe uma nova oportunidade de reinvenção.
Maria Cristina C.R. Carvalho é uma executiva com experiência nos setores financeiro, tecnologia e previdência, coach certificada ACC pela ICF, mentora, mediadora e conselheira pelo IBGC. Atuou por mais de 25 anos em Recursos Humanos liderando transformações, fusões, aquisições e iniciativas de diversidade, cultura e sustentabilidade. Presidiu e integrou conselhos em instituições financeiras, entidades de previdência e organizações sociais. Hoje, dedica-se à mentoria e ao desenvolvimento de líderes, jovens e profissionais em processos de carreira, além de facilitar diálogos, mediação de conflitos e práticas de liderança e diversidade.



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