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Ritmo também é estratégia: Um convite para respirar antes de sair correndo em 2026

  • 15 de jan.
  • 2 min de leitura

Começar um novo ano também é uma oportunidade rara: a de escolher o ritmo antes que ele nos escolha.

2026 chega (como todo começo do ano) com um mix de sentimentos, ideações de projetos, metas e desejos de realização, e eles são bem-vindos e necessários, afinal, como dizem, “sonhar grande dá o mesmo trabalho de sonhar pequeno”. Mas penso que o diferencial deste ano esteja menos na aceleração e mais na forma como sustentamos o caminho até as conquistas.

Vivemos em uma cultura que valoriza o desempenho contínuo. Byung-Chul Han nos lembra que, muitas vezes, não é o mundo externo que nos pressiona, e sim somos nós mesmas que assumimos esse lugar de cobrança permanente. E a questão não está em querer crescer, produzir ou alcançar grandes resultados. O risco aparece quando tentamos fazer tudo isso sem pausa, sem respiro, sem espaço interno, sem espaço para o erro, para a dúvida, para curtir o processo. Queremos abraçar o mundo, afinal, “damos conta de TUDO”.

É justamente nesse excesso, neste “tudo”, que algo se perde. Quando não há tempo para si, a vida vira tarefa. E nós, mulheres, especialmente, carregamos múltiplas jornadas, profissionais, afetivas, familiares, etc. Parece que impomos a nós mesmas que dar conta de tudo é uma obrigação, como se fizéssemos um contrato de prestação de serviços conosco mesmas.

E dados reforçam esse alerta: o Brasil ocupa o 2º lugar no ranking mundial de casos de Burnout, ficando atrás apenas do Japão (Pasmem!). Isso não fala de falta de talento ou de ambição, fala de excesso. E excesso, no médio prazo, cobra um preço alto, tanto para pessoas quanto para organizações.

Plot Twist deste artigo: Criar, decidir, liderar e sustentar grandes projetos exige mais do que esforço: exige espaço psíquico. É nele que o pensamento se organiza, que a criatividade emerge e que o caminho deixa de ser apenas produzir para se tornar construção com sentido. A criatividade, aliás, raramente nasce sob pressão. Os grandes insights, o famoso

“eureca”, costumam surgir quando a mente está mais “relax”. No banho, numa caminhada, num momento de ócio criativo. Não é sobre ausência de trabalho: é sobre elaboração. É sobre o inconsciente fazendo seu papel. 

Bom, mas como amamos uma meta, e se a meta é ter mais metas em 2026, que uma delas seja olhar pra você, seus limites e seu psíquico. E entender que isso não diminui a sua performance, ela a qualifica.

Que 2026 seja um ano de grandes realizações, sim, e também um ano de renovação, de escolhas mais conscientes, de pausas estratégicas e de consciência para comemorar cada passo dado.

Porque chegar longe é importante, mas chegar inteira faz toda a diferença.


Paula é Diretora Institucional do IVG

 
 
 

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